domingo, 5 de setembro de 2010

Satã















#25


Uns minutos antes de entorpecer os sentidos – nos dias
em que adormeço – por bendição ou indulgência,
tenho um último entendimento: a visão clara e
irrepreensível da Aurora que se achega. Nas
noites em que adormeço, a minha derradeira visão em vigília
é a Estrela d’Alva, e assim durmo, confiando na morte,
como se nada me pudesse abalroar o físico ou cruciar a mente.
Ter, momentos antes do sonho, a visão da Estrela da Manhã, é
como se, na cama, me alasse ao céu mais remoto, e
o colchão, as almofadas, os cobertores, tudo pertencesse à
amalgama de brilhantes siderais com que o meu ser é consumado.

Frederico Mira George

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