segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Para João Lemos um Poema


Desenho de João Lemos

LUA SELENE
para o joão lemos

saibam que nas noites mais duras de évora
há,
pelos campos,
gente oculta que anda.
romeiros de uma nova roma.
peregrinos de uma nova jerusalém.
cobertos com escuros mantos
empunhando adagas flamejantes.
só uma estrela os guia.

saibam que nas noites mais duras,
nos campos de évora, há anjos que andam.

domingo, 11 de novembro de 2007

Íntima Fracção




«às vezes você quer ir a um lugar onde todos saibam o seu nome». assim começava a canção de abertura do programa televisivo «aquele bar»

como quem cumprimenta toda a gente, volto a encontrar-me «rumo ao sul» no espaço esotérico entre a virtualidade do computador e o sonho do éter_
como quem procura o amplexo da telefonia reencontro a «íntima» na fracção da noite – francisco amaral – pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir.
daqui ouço o murmúrio de uma legião de ouvintes rumo à amada rádio. a sétima legião da beleza – logo a seguir…

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXXIX a XL

XXXIX serão precisos muitos meses, talvez anos, para saber o que está a matar as abelhas _ os apicultores não sabem […] […] ninguém sabe _ mas dizem as escrituras sagradas que quando as abelhas e as andorinhas nos abandonarem é porque nos céus se iniciou .....a grande revelação: XL kohan_ o mestre declarou ter chegado o momento do pequeno aprendiz partir sozinho. já lhe tinha dado todos os ensinamentos e revelado todas as práticas. _ . «agora tu» _ agora eu _ «não me deves pedir mais conselhos. nem te deves lembrar de mim. pensa como se me tivesses assassinado, e, se for necessário, não hesites, mata-me já» .....passou-lhe para a mão um bastão, uma adaga e mergulhou:

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXXII a XXXVIII

XXXII xerazade aos quarenta anos, só aos quarenta anos leio as noites da arábia _ mil e uma _ simbade numa barca bate-me à porta e pede suave .....um lugar com limos para dormir: XXXIII sê livre como uma pincelada japonesa. ocupa de negro o lugar do falecido ..........irmão ..........cristo verás como todas as flores .....brotarão .....na tua campa: XXXIV a sua santidade o brilho, o décimo quarto brilho da minha janela _ eu presto homenagem. a sua santidade o vidro, o segundo da terceira janela _ eu presto homenagem. a sua santidade sua santidade, primeira sua santidade do meu brilho vitrio , eu .....presto homenagem: XXXV se agora me dissessem ser eu o autor d’a «a voz humana», palavra de honra que acreditava. acreditava da mesma maneira que acredito, quando me dizem, que foi jean cocteau a escrevê-la. ..........fosse eu ou j+c ..........pela linha desse terrível telefone .....soaria o mesmo disparo inevitável: XXXVI o teu nome é jaguar e és um búfalo [sobrevivente entre a multidão, sem dúvida mas um búfalo] _ dono de um jornal de província, excluído da manada, tentando insistentemente escrever romances. o que não seria tarefa difícil assim conseguisses pegar com as patas a tua minúscula .....montblanc: XXXVII não sei como hei-de responder à amabilidade da senhora que serve aqui às mesas. é gentil e encontrar gentileza nas pessoas que servem às mesas dos cafés é tão raro… coisa digna de uma gratidão a que não sei ..................................responder. atrás dela no balcão .....reluz um prato de queijadas: XXXVIII como sempre existiu, o corpo policial existe e com as mesmas características com que existia no tempo em que sabíamos que ele existia. estamos à sua mercê _ não falo de policias de giro desses que envergam fatos de sopeira _ há uns outros, os ratos, os que erguem espadas ao céu para que os anjos sejam impedidos de passar. mas os anjos, os meus, lutam sem tréguas e ganham .....empunhando espadas flamejantes:

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXVI a XXXI

XXVI tinha dois macacos voadores,_dois pisa-papéis ..........(comiam aveia antes de adormecer), tinha um vaso com trevos de oito folhas; o cão que vinha ao meu chamado, […]tinha canetas e desenhos em mente[,,,] agora estas coisas ficaram depositadas .....na memória do jardim: XXVII o segredo está no sapato _ na paz final nas farpas. palavras. palavras. palavras. como em hamlet, sob um sol prateado, estendida e morta flutuando nas águas da comporta .....brilham grisalhos os cabelos de Virginia Woolf: XXVIII deixaram secar a fonte d’onde corriam peixes deixaram secar os peixes já não há asas nos convés dos navios perguntam-me _ ¿ porquê e não lhes sei ...........(aos meninos) ...........dizer .....uma palavra: XXIX hoje é o último dia em que posso estar num café e escrever, hoje é o último dia de dinheiro para o café, para os poemas é o dia infeliz que por mim, só por mim .....adiava: XXX nunca mais quero dormir _ nunca mais nunca mais quero dormir, ¿hã, não torno a repetir quero sono sono imenso daquele de que ninguém desperta e ter um nome belo e lapidar flores em volta e o choro de alguém à noite numa cidade que eu não conhecesse .....mas se chamasse paris: XXXI quando, às vezes _ em noites muito escuras, ou muito claras [não as sei distinguir] _ me sinto um cordeirinho e vou chorar para uma cama com lençóis muito lavados e a cheirar a óleo de lavanda, passa-me o todo o medo, sinto .....uma roda de anjos e sou feliz:

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXIII a XXV

XXIII o casal soube do meu sacerdócio. como quem compreende tudo pediram- -me que os baptizasse. como quem com preende tudo, baptizei-os. «as palavras do ritual diziam tudo»_ pensei «reverendo, esqueceu-se da parte das alianças» .....disseram à saída: XXIV um pássaro. um pássaro com três cores. 3 riscas verticais,., do bico à cauda. cauda sim! .....na minha cabeça pousou um tibetano alado: XXV ou a folha de papel é branca e a tinta é da china ou me engano muito. .....só um pincel japonês pode desfazer esta dúvida: