segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Satã



















#9


A infelicidade não é uma coisa abstracta. Escrevo
e enquanto imprimo olho a fotografia de Gorki na
parede frente à secretária. Se a infelicidade
fosse uma abstracção, eu diria – observando o rosto na fotografia – que
Gorki foi infeliz. Mas Gorki não foi infeliz porque viveu
no metafísico escorrer dos dias e morreu sabendo que
cada linha da sua «Mãe» seria lida pelos filhos. Nós,
os filhos de Gorki. No concreto, prova-se pelo rosto na fotografia,
que Gorki foi um «não-feliz». Mas, a infelicidade concreta, essa,
ficou reservada aos filhos.

Frederico Mira George