sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Satã



















#24


São sublimes os clamores das aves: afilados e formais.
Como ser exíguo e desigual, sinto-me elevado
e arvoro até às sinuosidades do
espaço-céu, que também me pertence, e sinto uma extremidade
de alegria a arranhar-me a respiração, a desentorpecer-me os
músculos oculares. Vejo tudo, tudo o que os pássaros e as suas cores
conseguem entrevir. Vejo por imaginar, e ver por imaginar
é ver com a realidade máxima que têm no coração todos os filósofos,
todos os poetas que não sabem que são poetas, que são
filósofos. A manhã inicia-se magnetizada pelos hinos canoros.

Frederico Mira George