domingo, 6 de julho de 2008

poemas dispersos

viu-se de relâmpago e era negra e como se uma chave fosse uma chave foi abrindo a porta do grande palácio das buganvílias e dos loendros lá dentro sobre um pavimento de mosaicos brancos e negros duas colunas suportavam sem esforço um globo celeste e outro terrestre duas esferas romãs abertas e expostas à sua multitude era uma espada de ferro quente ondulada : flamejante – a invocadora de todos os sortilégios entre colunas – onde reinava o silêncio ,soprou o verbo: «eis a minha espada, aqui não haverá espaço para a defesa porque não haverá espaço para o ataque» nisto uma bicéfala águia branca pousou sobre a coroa do trono e no tecto do palácio se escreveu num ouro muito azul: «ordo ab chao»

poemas dispersos

pelas ruas caminham ainda Gaivotas e outros animais de nome desconhecidos: ¿gente perdida? – numa montra um vestido Branco perfeito – luminoso pelas ruas caminham ainda Flores silvestres odores ignorados jardins sem rosto lagos sem rosto paisagens distorcidas pelas ruas caminha ainda um vestido Branco perfeito – luminoso

poemas dispersos

um dia – se me tornar mesmo peregrino – encontrarei as tuas pegadas junto ao rio que escolheste e aí ficarei a contemplá-las parado ouvindo as águas respirando o oxigénio das ár vores gigantes :os corvos