terça-feira, 22 de março de 2011

Satã


14.

Vi um psicotécnico a correr junto a uma autoestrada.
Vestido, evidentemente. Usava uns calções, muito azuis,
uns collants muito pretos, um gorro muito castanho e
uma camisola sem mangas seriamente justa. Ali,
acelerando em collants, circulava na via pública toda a psicologia diplomada das universidades, todo
o pensamento analítico-sintético das escolas primárias
e, como suplemento, o emblema majestático do futebol: O
Clube do Porto. O psicologista que passava, e tossia, do fumo
largado em escape pelos automóveis, demonstrou-me
, cientificamente, como é justo, que numa manhã de chuva, podia
ser de Sol, a lógica da psique tosse enquanto corre e usa
gorros muito castanhos, só para mostrar quão saudável é
na apreciação cuidada da mente aberta do alcatrão.
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