sábado, 7 de agosto de 2010

Satã



#4

Quando incendeio o tabaco na fornalha do cachimbo
, o fumo, o fogo, o calor;
elevam-me a um céu de coisas inocentes e brancas
que retiram de mim toda a morte do corpo
e me fazem pensar na beleza extrema do pensamento que
não é pensamento mas a que chamamos pensamento
porque pensar é a única forma de não pensar.
Na fornalha do meu cachimbo mora toda a paz dos
profetas, toda a dor dos poemas; e eu sinto-te livre
como o anjo que cai para trazer a luz que cega.

Frederico Mira George