sábado, 11 de setembro de 2010

Satã
















#27

Uma cavada dormência.
Ossos a abrir. Eis a noite larga e sem lume.
Na casa, pairam terrores e afiguradas flores
sobre mesas de chá. Flores e chá. Tão pouco
para uma paz continuada. E ainda assim:
os espectros. Pelas veias das mãos gritam amores
que o vento corta na aragem musical das janelas.
À noite, quantos desenhos e livros e cigarros,
quantas formas distintas de entreter cronos ficarão
registadas no espaço? Quem é o espaço? Quem anota a dor?

Frederico Mira George

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