domingo, 2 de março de 2008

o caderno feliz #2

#2 acordei e senti-me uma raiz de mandrágora com um foco de luz azul-gelado a observar-me virei a cabeça assustado em pânico e reparei na presença serena de malone está a morrer de samuel beckett em cima da mesa de cabeceira isso acalmou-me a luz fundiu-se no escuro da madrugada e o meu corpo abandonou a textura humana da mandrágora foi quando começaram os gritos miados da gata do primeiro andar num cio atrasado já não estava só do pânico total passei à tranquilidade do dia quase a despontar então senti uma humilde vontade de estar grato a tudo especialmente à gata do primeiro andar apesar de ver tudo a branco-e-negro consegui pôr mirra e funcho no turíbulo em oferenda ao dia que estava a nascer deitei-me de novo e adormeci numa paz de bach todo eu era uma dormência feliz/

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