não quero lembrar-me
nem tão pouco ser uma luz radiosa
para a qual um dia desperte se esquecer
o Eu imenso que sou
quero – notem bem –
quero apenas uma caneta
de aparo suave com que possa
rasgar num papel
com uma tinta muito ágil
as latitudes e longitudes
das noites insones que me acompanham
com a mesma natureza felina
de um gato aos pés
da cama da velha tia de alguém
madrugada dentro
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