sábado, 23 de fevereiro de 2008

do fim para o princípio - SILÊNCIÁRIO

Aqui fica a introdução ao livro «SILÊNCIÁRIO» cujos poemas têm vindo a ser publicados neste blog nos últimos meses: AS PALAVRAS DA MEDITAÇÃO talvez sejam só letras/palavras. espaços entrelaçados. visões rápidas. espasmos. acelerações cardíacas. talvez isso seja tudo. tudo é muito mas ainda não é o todo. talvez não seja bem isto o que se pode dizer destas frases que vão encontrar a seguir a esta página, todas elas escritas minutos antes de uma sessão de zazen. antes de meditar somos cruzados por pensamentos – questões? – que nos colocam perante o paradoxo da nossa mente. já em meditação, esses pensamentos, ou questões, diluem-se num espaço indisível, inefável: a poesia. aí não há pensamento, nem visão, nem eu, nem tu, nem estar sentado ou em pé. aí não há o espaço, o corpo o odor. ao mesmo tempo tudo está presente: o pensamento, a visão, o eu, o tu, o sentado, o em pé, o espaço, o tempo. estão presentes mas não estão lá. tudo é paradoxal na meditação. consciente só a respiração. o acto primeiro. a orla da iluminação. mas ainda não estamos no todo. só na parte que nos poderá conduzir ao todo. zazen quer dizer meditação sentada. estar sentado é uma acção poderosa. tão poderosa como é poderoso olhar o sol quando nasce ou se põe ou observar a lua plena de um solstício. nestas palavras que habitei é possível que se consiga encontrar um fio condutor. o entrelaço de todas as agitações da mente. de todas as pausas. de todas as consequências e inconsequências. há um muro entre elas e eu como ser. a meditação reduz, ou eleva, esse muro ao estado da mais profunda transparência. em cada sessão é-nos dada a possibilidade de «ver» para o outro lado da parede que habitamos. enfim a morte. lisboa, 23 de fevereiro de 2008 de uma era comum

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