domingo, 20 de abril de 2008
poemas dispersos
um tiro ou uma corda onde pouse
um corvo e uma bem-aventurada rosa
. à beira da chuva todos os pequenos
passos levam ao lugar do desastre
e salvos um a um os cegos
de goya levantar-se-ão em filas
e voarão até ao céu onde
dependurado está aquele que a todos
sem pensar
prometeu a salvação
PEDRO BANDEIRA FREIRE

pedro bandeira freire morreu de dor e amor.
amor por quatro salas de cinema, Quarteto de amor
e verdes anos.
morreu por ter de entregar as chaves desse amor a quarto.
hoje pode descansar? já não tem o seu amor, nem um Quarteto
de filmes que nos abraçavam noite após noite.
que fique a recordação do seu rosto dorido E a lembrança
de um bilhete, parecido com um antigo bilhete de eléctrico,
Chamado Desejo.
sábado, 19 de abril de 2008
poemas dispersos
assim entrançada na rede de ferro
a trepadeira desenha perfis e corpos
gente de costas
gente gritante – bocas a pedir socorro
e enquanto o vento lhe bate nas folhas
todos aqueles semi-seres se contorcem
e agitam
e parecem ainda maiores e mais desfigurados
lacrimejantes
ousando
sexta-feira, 18 de abril de 2008
poemas dispersos
apesar do lodo
da chuva oblíqua – do corpo
toldado por ínfimas lágrimas
vejo
e vejo com tamanha clarividência
que até as montanhas
por de trás das nuvens me são
entendíveis ao olhos
tudo o resto é em vão
não penso, porque pensar seria
uma ilusão sem resposta
não me movo porque escorregaria no
lodo para sempre
:apenas olho as setas de água
, disparadas
à terra
sentindo com a mais íntima
das percepções
que tudo é assim
está certo
e é natural
quinta-feira, 17 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
poemas dispersos
tem os olhos brancos e chama-
se açores
caminha depressa
(sem ir a lado nenhum)
de costas parece um tigre de cartão
de frente é um tigre de cartão
vive a cidade sem prender o olhar
uma vez que seja
as mãos são alvas como os olhos
e seria um bom pastor
ou poeta
se pusesse tal hipótese
conheci-o hoje e
chamei-lhe açores
segunda-feira, 14 de abril de 2008
poemas dispersos
quando os anjos me visitam
param os ventos e o tremor da água
tudo fica perfeito e terno - até me
abandonarem num
humano cheiro
fundido na terra
asfixiado e cego como no real
inferno
de dante
¿para que me visitam então os anjos
se é o abandono inevitável?
mil vezes o permanente interior do fogo
do que conhecendo o toque da rosa
ter de a perder
domingo, 13 de abril de 2008
poemas dispersos
da minha cama pode
ver-se
tudo o que o céu tem
e ainda as pessoas que ninguém sabe que existem
a mim a cama ensinou-me tudo
e é por isso que eu sei com
toda a certeza
que a estrela brilhante que ilumina a terra
só existe para me saborear
sábado, 12 de abril de 2008
Comic Con

Os 4, do ido estúdio da Bica { Ricardo Venâncio, Ricardo Tércio, Nuno "Plati" Alves e João Lemos } vão estar na Artist's Alley da New York Comic Con deste ano { mesas F7 a F10 }. Com eles, estarão também Rui Lacas e Jorge Coelho, do nosso novo estúdio, bem como o realizador Paulo Prazeres, da Droid-I.D a documentar a experiência.
poemas dispersos
tenho nos ouvidos um piano e
uns dedos que ouvem: uma partitura
talvez pelo mistério da partitura
; «goldberg – variações» ou
pelo mistério de ter um piano em mim
só consigo acordar em paz
se ressoarem em celebração
as mãos e os tempos de glenn
sexta-feira, 11 de abril de 2008
poemas dispersos
antes de fechares a porta olha-
-me com alguma ternura e diz.
diz o que nunca me disseste.
o que nunca foste capaz de dizer.
diz.
e depois vai tranca bem a porta e
n~
ao voltes a pronunciar o nosso nome.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
poemas dispersos
sou uma chávena de chá
mas sem o odor transparente
e o calor reconfortante de uma tisana
sou só um líquido
espesso
preso num recipiente redondo
quarta-feira, 9 de abril de 2008
poemas dispersos
comecei por ver a sombra de um gato
depois vi o gato
cinzento quase azul
quando entrou pelo quarto da pensão
não saltou, voou aterrando debaixo
do grande candeeiro à entrada da sala
não havia nada a dizer
ficámos num aparente silêncio
sem tirar os olhos um do outro
ao fim de umas horas ele voou de volta
fechando a janela atrás de si
contudo a sua sombra manteve-se projectada no te
cto durante toda a noite
terça-feira, 8 de abril de 2008
poemas dispersos
quando tivemos de anunciar a tua morte, fiama
caiu um véu de sóis e pinceladas negras
já não há barcos na tua praia
devoraste-os nos versos
se dissesse: algarve, ressuscitaria
os teus fonemas? as
tuas letras grandes sobre papel fino?
acaso foste visitada por um arcanjo a
nunciador da morte dos poemas?
segunda-feira, 7 de abril de 2008
poemas dispersos
há vasos de flores que se partem e
partem-se sobre longas mesas voadoras
– diluem-se – hoje chove e há orquídeas
carnívoras na cama como
se a cama fosse ainda o berço
do bebé sem sono que fui.
por dentro do corpo azulam-se
todas
as metáforas
mas não sairá um vocábulo
pela boca insistente que as flores têm
entre nós e os peixes, o aquário.
Foi criada a Versão On-Line do Jornal «THEOSOPHIA»
THEOSOPHIA
Grupo de Estudos Teosóficos «Antero de Quental»
domingo, 6 de abril de 2008
o caderno feliz #20
#20
cheguei à torre percorri com a ponta dos dedos os caracteres do mapa lá estavam o rio o portão vermelho o estreito carreiro de terra por onde devem ter passado os cavaleiros de um tempo sem data cheguei à torre e do cimo gritei o meu nome caderno feliz/
o caderno feliz #19
#19
ouve esfinge não há filosofia ou pensamento antigo ou moderno que possa decifrar o teu divino segredo nos teus olhos abrem-se duas portas por elas só os pássaros estão permitidos mas eu olho-te e sinto-te alma gémea nós dois gigantescos vocábulos provocando tempestades/
sexta-feira, 4 de abril de 2008
o caderno feliz #18
#18
era inevitável chegar à loucura nada na loucura me assusta a loucura é bela cega-nos e a cegueira leva-nos ao mar cheguei pois e sinto a paz a ascender como uma esplendorosa força terrestre amada e amante olá guardador de rebanhos/
quinta-feira, 3 de abril de 2008
o caderno feliz #17
#17
ainda trago os espinhos na palma dos pés no início parecia uma caminhada tão simples pura e transparente mesmo com muito esforço as agulhas não saem talvez estejam definitivamente cravadas não sinto dor não sinto os pés sofro só a memória do primeiro andamento/
quarta-feira, 2 de abril de 2008
o caderno feliz #16
#16
subo o abismo sem cair o alento está a meu favor subir as paredes de um abismo é uma escalada como qualquer outra é o que todos dizem e é por isso que aproveito este vento com naturalidade pondo sem cuidados o pé na rocha seguinte honro o meu nome sísifo/
o caderno feliz #15
#15
acordei sobre um pano de pequenas pedras aquecidas pelo sol o corpo nu imóvel mesmo ao lado um ribeiro corria contra a corrente levantado poderia ter-me deixado refrescar pelas águas mas o conforto da dor jamais o permitiria/
segunda-feira, 31 de março de 2008
o caderno feliz #14
#14
a terra parece mármore será que ouço um mocho será que ouço a terra parece mar pressinto navios ancorados e gente a nadar apetece-me mudar de nome soltar as amarras e subir pelo céu num voo longo e vertical poderia jurar que é um mocho um mocho caçador anunciando a sua primazia sobre os outros predadores caminho suavemente sobre o mármore e inscrevo como numa lápide mortuária o meu epitáfio peregrinator/
domingo, 30 de março de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
o caderno feliz #13
#13
há sol a praia passa perto de uma linha telefónica anseio três seixos com que farei um oráculo o cão dorme no piso de cima uma cão doce de coleira verde a esta hora já os meus olhos estão vazios e o caos toma conta dos actos assim deixo-me levar pela praia pela expectativa dos seixos/
o caderno feliz #12
# 12
há nuvens japonesas no céu paisagens celebrantes e árvores de flores brancas amendoeiras as cotovias cantam para e só para nosso deleite recortado no azul um cavalo e um cavaleiro/
terça-feira, 25 de março de 2008
o caderno feliz #11
#11
com estas palavras só peço chuva inundações gigantes ondas gigantes cabelos gigantes toda a terra me denuncia e os anjos olham-me sem ouvidos/
segunda-feira, 24 de março de 2008
o caderno feliz #10
#10
é ouro grande lápis esforçando-se por desenhar é todo ouro ouro sol branco papel lápis branco e mar vejo o meu nome numa parede e basta-me para atestar a minha existência sou a prata restante o restolho de um ourives por natureza cruel jamais serei moeda lua cheia só me é dado contemplar/
domingo, 23 de março de 2008
o caderno feliz #9
#9 – domingo de ressurreição
hoje os meus dedos abriram-se em flores e sangue quente durante a noite as almas visitaram-me embalando-me na tranquilidade de um sonho transparente graciosa candeia de lua rasgando o coração por onde uma mão entrou carinhosamente amante/
sábado, 22 de março de 2008
o caderno feliz #8
#8 – sábado de aleluia
são os pés que paralisam os olhos que se fecham formam uma cruz repleta de semi-deuses a travar o caminho talvez a cruz seja ilusória a verdade é que é impossível dar um passo regressar ao presente não fugir o vento tornou-se violento e os anjos resguardaram-se dos homens terá sido esta a verdade dos profetas/
sexta-feira, 21 de março de 2008
o caderno feliz #7
#7 – sexta-feira santa
todas as minhas almas se reúnem num só corpo estou preparado/
quarta-feira, 19 de março de 2008
o caderno feliz #6
#6
caem-me os cabelos os pássaros gostam eu gosto só não consigo suportar estes óculos não é que não me sirvam mas pesam-me como se em mim tivesse entrado toda a tristeza do mundo ou eu próprio fosse toda a tristeza do mundo os pássaros bicam a minha cabeça cada vez mais despida e quando olho em frente só consigo fixar a devastação das árvores já morreram quase todas caçadas por uma qualquer mente adversa à serenidade cai-me a pele os pássaros gostam eu gosto só não consigo suportar estes óculos/
segunda-feira, 17 de março de 2008
domingo, 16 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
o caderno feliz #5
#5
as noites eram o meu espaço de felicidade mas há duas semanas que um intruso penetra nas minhas propriedades oníricas revolvendo os meus sonhos a maneira certeira e lúcida com que ele o faz leva-me a crer que seja um menino morto por nunca ter adormecido a tempo de o ver ele escapa-se e sabe o que faz percebo que só quer apoderar-se dos meus sonhos tem com certeza tudo planeado e por qualquer razão desconhecida escolheu-me a mim como vítima e que posso eu fazer se é um anjo caído/
o caderno feliz #4
#4
há dias em que acontecem inexplicáveis surpresas como ontem ao principio da noite homens puseram enxofre a queimar nestes casos os gatos fogem abençoando o espaço com gritos interiores é que um gato reconhece sempre uma invocação do diabo e talvez nem se trate de uma fuga mas de uma retirada como um soldado que se atrasa no xadrez da guerra preparando-se para um combate mais feroz/
SOS Voz Amiga
Texto escrito por solicitação do SOS Voz Amiga
a palavra certa
frederico mira george
para o fernando
eis dois homens na noite da rádio um de palavras serenas suicidas e certas algures na cidade outro de palavras sedutoras curtas e certas o homem do outro lado do estúdio está confiante irredutível o homem na telefonia-sem-fios está lúcido mas com medo há quantos anos a sua vida é feita de ler vozes trinta talvez sabe que o outro homem não brinca vai matar-se e quer fazer o espectáculo da sua morte quer fazer da sua morte ao menos um minuto de glória para o homem da rádio basta-lhe um tom uma ténue vibração de voz para saber o passo seguinte é nisso que confia a determinação do homem ao telefone é verdadeira e quase impossível de vencer na régie chamam a polícia quinze minutos é o que precisam o homem da telefonia tem de ter a palavra certa para o manter no ar o homem para lá do estúdio eis um duelo de dois grandes guerreiros no xadrez da amada rádio dos sons e silêncios deles depende a morte de um ou a frustração culpada do outro não pode haver erros de parte a parte para o homem suicida nada o pode seduzir para o homem ao microfone cada palavra tem de seduzir quem os escuta no éter nem se apercebe quão gigantes estes homens são a polícia leva mais tempo que o previsto o suor cai sobre o rosto de ambos os guerreiros as palavras de passe continuam são elas que dão acesso ao nível superior do xadrez estão os dois prestes a rebentar as palavras tornam-se finais os silêncios aumentam a estação da rádio está feita uma esquadra de polícia o homem da rádio diz a primeira palavra errada o gigante do outro lado assusta-se mas não foge a polícia encontra o local perto dali afinal o éter era mais pequeno do que se imaginava talvez seja por pouco e foi pelo microfone ouvimos agora o repórter que descreve um quarto entrincheirado e preparado para a explosão de pontas de gás o telefone cai o repórter silencia-se no estúdio o homem da telefonia deita-se no chão exausto uma ideia atormenta-o não lhe sai da ideia a traição que talvez tenha feito ao homem do telefone a sedução da sua voz cativou o suicida puxou-o para a amada rádio terá isso sido legítimo terá ele salvo este homem da morte ou tê-lo-á condenado à vida eterna/
terça-feira, 4 de março de 2008
o caderno feliz #3
#3
não chove apesar de estar um céu negro e ameaçador tenho o meu chapéu desde os dezassete anos está coçado e velho mas encaixa na minha cabeça como uma luva perfeita serviria numa mão perfeita as manhãs assim são horrivelmente roxas e demoradas desejava poder conversar conversar muito com um humano ou um animal que me acariciasse não sei se saia se ponha o meu chapéu a ausência de chuva ameaça-me talvez não talvez o que me ameace seja a presença do céu carregado sabendo que não vai chover nem trovejar são manhãs sem ninguém manhãs de frio estando calor apenas encontro conforto num casaco que encontrei na rua e que transmite ao meu corpo uma satisfação quase pura plural e afinada um pretexto para ter algo em que pensar penso pouco e quando penso é nestas coisas no chapéu no casaco na chuva retardada para um verão que há-de vir e se sente pelas costas como se de alguém se tratasse com uma pistola em punho pretextos por todos os lados para matar as horas anseio a chegada a uma outra terra a um outro lago anseio ver com outros sentidos este lado tão curto da vida/
domingo, 2 de março de 2008
o caderno feliz #2
#2
acordei e senti-me uma raiz de mandrágora com um foco de luz azul-gelado a observar-me virei a cabeça assustado em pânico e reparei na presença serena de malone está a morrer de samuel beckett em cima da mesa de cabeceira isso acalmou-me a luz fundiu-se no escuro da madrugada e o meu corpo abandonou a textura humana da mandrágora foi quando começaram os gritos miados da gata do primeiro andar num cio atrasado já não estava só do pânico total passei à tranquilidade do dia quase a despontar então senti uma humilde vontade de estar grato a tudo especialmente à gata do primeiro andar apesar de ver tudo a branco-e-negro consegui pôr mirra e funcho no turíbulo em oferenda ao dia que estava a nascer deitei-me de novo e adormeci numa paz de bach todo eu era uma dormência feliz/
o caderno feliz #1
#1
gosto de táxis como um anjo das suas asas gosto de ir e olhar para a frente e para trás e para os lados gosto da total irresponsabilidade de me deixar conduzir pelas ruas ao volante de um homem que não conheço num barco ainda mais desconhecido costumo pousar o chapéu sobre os joelhos o guarda-chuva no chão sim porque eu ando sempre de guarda-chuva às vezes suo e é aí que medito na alma na metafísica na pobre filosofia dos homens é aí que tenho pena de todas as almas e de todos os metafísicos e de todos os pobres filósofos é aí que imagino que há sol e flores e peixes em lagos algures na casa de alguém e provavelmente no mar sim é nos táxis que desobedeço a deus e me sinto numa missa de incontáveis hóstias de todas as cores/
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
do fim para o princípio - SILÊNCIÁRIO
Aqui fica a introdução ao livro «SILÊNCIÁRIO» cujos poemas têm vindo a ser publicados neste blog nos últimos meses:
AS PALAVRAS DA MEDITAÇÃO
talvez sejam só letras/palavras. espaços entrelaçados. visões rápidas. espasmos. acelerações cardíacas. talvez isso seja tudo. tudo é muito mas ainda não é o todo. talvez não seja bem isto o que se pode dizer destas frases que vão encontrar a seguir a esta página, todas elas escritas minutos antes de uma sessão de zazen. antes de meditar somos cruzados por pensamentos – questões? – que nos colocam perante o paradoxo da nossa mente. já em meditação, esses pensamentos, ou questões, diluem-se num espaço indisível, inefável: a poesia. aí não há pensamento, nem visão, nem eu, nem tu, nem estar sentado ou em pé. aí não há o espaço, o corpo o odor. ao mesmo tempo tudo está presente: o pensamento, a visão, o eu, o tu, o sentado, o em pé, o espaço, o tempo. estão presentes mas não estão lá. tudo é paradoxal na meditação. consciente só a respiração. o acto primeiro. a orla da iluminação. mas ainda não estamos no todo. só na parte que nos poderá conduzir ao todo. zazen quer dizer meditação sentada. estar sentado é uma acção poderosa. tão poderosa como é poderoso olhar o sol quando nasce ou se põe ou observar a lua plena de um solstício. nestas palavras que habitei é possível que se consiga encontrar um fio condutor. o entrelaço de todas as agitações da mente. de todas as pausas. de todas as consequências e inconsequências. há um muro entre elas e eu como ser. a meditação reduz, ou eleva, esse muro ao estado da mais profunda transparência. em cada sessão é-nos dada a possibilidade de «ver» para o outro lado da parede que habitamos. enfim a morte.
lisboa, 23 de fevereiro de 2008 de uma era comum
Perguntas e Respostas Encontradas
Mais uma vez o brilho que vem do AR LÍQUIDO 3
O que é a morte?
É uma chave para 83 fechaduras.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
ABBADON

ABBADON Creation/Direction and Staging/Original Text: Hugo Callhim Cristovao- Creation/Performance/Original Drawings: Paula Cepeda Rodrigues /
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
em «AR LÍQUIDO 3»
a separação dos mares e da terra e a criação do céu, nas iluminuras de um Livro de Horas Franciscano, c1385-90
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
domingo, 3 de fevereiro de 2008
sábado, 2 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
domingo, 27 de janeiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
domingo, 13 de janeiro de 2008
sábado, 12 de janeiro de 2008
Luiz Pacheco, ainda (sempre)
João Pedro George lamenta morte do escritor Luiz Pacheco
A morte do escritor e crítico literário Luiz Pacheco constitui «uma perda irrecuperável», disse hoje à agência Lusa o professor universitário João Pedro George, que considerou o escritor um «tipo humano singular e irrepetível».
Em declarações à agência Lusa, João Pedro George - que está a fazer a tese de doutoramento sobre a biografia do escritor e crítico literário - disse lamentar «imenso» a morte de Luiz Pacheco, que considerava um «amigo pessoal», um «tipo humano singular e irrepetível» e não «um exemplar em série como acontece normalmente».
Luiz Pacheco, que chegou a ser conhecido como «um escritor maldito», fez da crítica a maneira de estar na literatura e da literatura o estar, referiu.
«Sinto a morte de Luiz Pacheco de uma forma muito profunda, já que o considerava um amigo pessoal e é quase como se o conhecesse intimamente», acrescentou João Pedro George.
A nível literário, João Pedro George considerou que com o desaparecimento de Luiz Pacheco «se perde um escritor como não voltará a existir outro».
Sublinhou ainda que o projecto literário de Luiz Pacheco foi «indissociável» da sua vida, razão por que é difícil perceber um sem que se entenda a outra.
«Era uma personalidade que poderíamos considerar excêntrica, que sempre que abria a boca nunca se sabia o que ia dizer, mas era um ser humano único», frisou.
João Pedro George acrescentou que há «vários anos» que estuda a vida e obra de Luiz Pacheco, pelo que a vida do escritor tem «estado quase diariamente presente» na sua vida nos últimos anos.
«O crocodilo que voa» é o título do livro de João Pedro George, que sairá ainda este mês pela Tinta da China e que reúne as últimas entrevistas dadas por Luiz Pacheco.
Luiz Pacheco nasceu em Lisboa a 07 de Maio de 1925 e morreu sábado no Hospital do Montijo.
Frequentou o curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, em 1945 começou a publicar textos em vários jornais e revistas e em 1950 fundou a editora Contraponto, que publicou pela primeira vez Mário Cesariny e António Maria Lisboa.
Raul Leal, Natália Correia e Vergílio Ferreira foram outros dos escritores publicados pela Contraponto.
«Textos de Guerrilha», «Textos do Barro», «O Teodolito», «A comunidade» e «O libertino passeia por Braga a idólatra o seu esplendor» são algumas das obras de Luiz Pacheco.
Diário Digital / Lusa
06-01-2008 12:50:00
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
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