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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

domingo, 11 de novembro de 2007

Íntima Fracção




«às vezes você quer ir a um lugar onde todos saibam o seu nome». assim começava a canção de abertura do programa televisivo «aquele bar»

como quem cumprimenta toda a gente, volto a encontrar-me «rumo ao sul» no espaço esotérico entre a virtualidade do computador e o sonho do éter_
como quem procura o amplexo da telefonia reencontro a «íntima» na fracção da noite – francisco amaral – pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir.
daqui ouço o murmúrio de uma legião de ouvintes rumo à amada rádio. a sétima legião da beleza – logo a seguir…

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXXIX a XL

XXXIX serão precisos muitos meses, talvez anos, para saber o que está a matar as abelhas _ os apicultores não sabem […] […] ninguém sabe _ mas dizem as escrituras sagradas que quando as abelhas e as andorinhas nos abandonarem é porque nos céus se iniciou .....a grande revelação: XL kohan_ o mestre declarou ter chegado o momento do pequeno aprendiz partir sozinho. já lhe tinha dado todos os ensinamentos e revelado todas as práticas. _ . «agora tu» _ agora eu _ «não me deves pedir mais conselhos. nem te deves lembrar de mim. pensa como se me tivesses assassinado, e, se for necessário, não hesites, mata-me já» .....passou-lhe para a mão um bastão, uma adaga e mergulhou:

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXXII a XXXVIII

XXXII xerazade aos quarenta anos, só aos quarenta anos leio as noites da arábia _ mil e uma _ simbade numa barca bate-me à porta e pede suave .....um lugar com limos para dormir: XXXIII sê livre como uma pincelada japonesa. ocupa de negro o lugar do falecido ..........irmão ..........cristo verás como todas as flores .....brotarão .....na tua campa: XXXIV a sua santidade o brilho, o décimo quarto brilho da minha janela _ eu presto homenagem. a sua santidade o vidro, o segundo da terceira janela _ eu presto homenagem. a sua santidade sua santidade, primeira sua santidade do meu brilho vitrio , eu .....presto homenagem: XXXV se agora me dissessem ser eu o autor d’a «a voz humana», palavra de honra que acreditava. acreditava da mesma maneira que acredito, quando me dizem, que foi jean cocteau a escrevê-la. ..........fosse eu ou j+c ..........pela linha desse terrível telefone .....soaria o mesmo disparo inevitável: XXXVI o teu nome é jaguar e és um búfalo [sobrevivente entre a multidão, sem dúvida mas um búfalo] _ dono de um jornal de província, excluído da manada, tentando insistentemente escrever romances. o que não seria tarefa difícil assim conseguisses pegar com as patas a tua minúscula .....montblanc: XXXVII não sei como hei-de responder à amabilidade da senhora que serve aqui às mesas. é gentil e encontrar gentileza nas pessoas que servem às mesas dos cafés é tão raro… coisa digna de uma gratidão a que não sei ..................................responder. atrás dela no balcão .....reluz um prato de queijadas: XXXVIII como sempre existiu, o corpo policial existe e com as mesmas características com que existia no tempo em que sabíamos que ele existia. estamos à sua mercê _ não falo de policias de giro desses que envergam fatos de sopeira _ há uns outros, os ratos, os que erguem espadas ao céu para que os anjos sejam impedidos de passar. mas os anjos, os meus, lutam sem tréguas e ganham .....empunhando espadas flamejantes:

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXVI a XXXI

XXVI tinha dois macacos voadores,_dois pisa-papéis ..........(comiam aveia antes de adormecer), tinha um vaso com trevos de oito folhas; o cão que vinha ao meu chamado, […]tinha canetas e desenhos em mente[,,,] agora estas coisas ficaram depositadas .....na memória do jardim: XXVII o segredo está no sapato _ na paz final nas farpas. palavras. palavras. palavras. como em hamlet, sob um sol prateado, estendida e morta flutuando nas águas da comporta .....brilham grisalhos os cabelos de Virginia Woolf: XXVIII deixaram secar a fonte d’onde corriam peixes deixaram secar os peixes já não há asas nos convés dos navios perguntam-me _ ¿ porquê e não lhes sei ...........(aos meninos) ...........dizer .....uma palavra: XXIX hoje é o último dia em que posso estar num café e escrever, hoje é o último dia de dinheiro para o café, para os poemas é o dia infeliz que por mim, só por mim .....adiava: XXX nunca mais quero dormir _ nunca mais nunca mais quero dormir, ¿hã, não torno a repetir quero sono sono imenso daquele de que ninguém desperta e ter um nome belo e lapidar flores em volta e o choro de alguém à noite numa cidade que eu não conhecesse .....mas se chamasse paris: XXXI quando, às vezes _ em noites muito escuras, ou muito claras [não as sei distinguir] _ me sinto um cordeirinho e vou chorar para uma cama com lençóis muito lavados e a cheirar a óleo de lavanda, passa-me o todo o medo, sinto .....uma roda de anjos e sou feliz:

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXIII a XXV

XXIII o casal soube do meu sacerdócio. como quem compreende tudo pediram- -me que os baptizasse. como quem com preende tudo, baptizei-os. «as palavras do ritual diziam tudo»_ pensei «reverendo, esqueceu-se da parte das alianças» .....disseram à saída: XXIV um pássaro. um pássaro com três cores. 3 riscas verticais,., do bico à cauda. cauda sim! .....na minha cabeça pousou um tibetano alado: XXV ou a folha de papel é branca e a tinta é da china ou me engano muito. .....só um pincel japonês pode desfazer esta dúvida:

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Into Great Silence - Philip Groening

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XXI a XXII

XXI tentei acertar o relógio. vezes sem ...................conta e ele parado. sem conserto possível não sei porquê mas tenho ganho um amor especial a esta máquina .....que marca a hora exacta duas vezes por dia: XXII revoltaram-se as águas a terra. caiu tudo, pássaros gatos, pequenos rouxinóis re voltaram-se os ares .....caiu tudo, pequenas asas:

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Nanni


Projecto Gráfico de João Lemos

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XIII a XX

XVIII o dragão entrou. fez disto a casa dele. como um morcego a quem ninguém liga bateu com a cabeça nas paredes até que o candeeiro o encandeeirou .....«coisas de dragão sem mãe» .....gritou o meu pai: XIX um monge um leão uma caveira uma vela a pena e o papel_ são jerónimo enfim numa re produçãozinha a branco e azul .....são jerónimo inteiro numa .....reprodução mínima a branco e azul: XX querida lâmpada_ venho por este meio, dizer-te que a luz foi cortada. já não há dinheiro nem nos cofres da mamã – de resto a mamã nunca teve dinheiro nos cofres a mamã tinha era cofres – .....com cordiais saudações, teu:

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XIII a XX

XVIII o dragão entrou. fez disto a casa dele. como um morcego a quem ninguém liga bateu com a cabeça nas paredes até que o candeeiro o encandeeirou .....«coisas de dragão sem mãe» .....gritou o meu pai: XIX um monge um leão uma caveira uma vela a pena e o papel_ são jerónimo enfim numa re produçãozinha a branco e azul .....são jerónimo inteiro numa .....reprodução mínima a branco e azul: XX querida lâmpada_ venho por este meio, dizer-te que a luz foi cortada. já não há dinheiro nem nos cofres da mamã – de resto a mamã nunca teve dinheiro nos cofres a mamã tinha era cofres – .....com cordiais saudações, teu:

domingo, 28 de outubro de 2007

gotas caem, dispersam-se sozinhas - XII a XVII

XII não é um gato. não é um peixe. mas arde.......quando .....olha: XIII kohan_ como o olho do velho santo e sábio mestre vejo-me para o passado como , a «pincelada única» de shitao que nunca .....serei: XIV um tritão negro, rebuçados de mentol (… o cigarro cai-me da boca enquanto ..................o pincel marca a folha branca…), um círculo vermelho é desenhado com compasso_no centro uma mosca de magníficos .....olhos roxos, cai: XV coitado do canário – com tanta fome prendeu a cabeça entre as grades da gaiola estando a alpista mesmo ali em frente do outro lado da prisão numa alpisteira d’ouro «destino cruel o dos canários humanos!» poderia ter dito gil vicente: XVI porque me olhas ..........................¿faca sabes que não me podes matar. eu sei que não te poderei matar,,, .....¿porque simulas enfrentar-me: XVII resignada salamandra venenosa. bebeu a água que lhe foi dada e não a q eu preci sava. bebeu e depois chorou .....desejou com ardência ser mulher… _____… inverter o jogo:

domingo, 21 de outubro de 2007

gotas caem, dispersam-se sozinhas - I a XI

I a seta disparou-se sozinha. caí em alto mar tudo é único e .....gigante: II afogo-me. afogo-me. afogo-me. a fogo .....me: III ruído. escuro. sente-se o dia. há um plano subaquático para me despertar. pa ra me .....desapertar: IV as asas apareceram-me no sonho. o cão dormia na minha cama. o cágado, o cágado estava longe, mas... _____...são raphael no sol nocturno: V tigre. no ataque senti rasgões na pele. .....um tigre amoroso: VI quando a abelha caiu no aquário, o meu primeiro impulso foi sal vá-la na morte. mas parei dentro d’água o peixe e a abelha desenharam círculos, coreografados, como se todos os dias fosse comum a essa abelha e a esse peixe (vermelho) dançarem .....no aquário: VII as asas que me esperam no espaço do coração são pequenas rosas azuis pequenas rosas azuis pequenas rosas azuis .....pequenas .....rosas .....azuis: VIII talvez não goste de escrever. talvez não goste de desenhar. talvez não goste de pintar talvez goste. talvez goste. .....talvez o poema. é tão difícil explicar: IX abriu-se uma janela e o frio entrou. trovoada pedras coloridas chovendo em todas as direcções marcou-se assim um dia feliz: X vejam aqui está! o primeiro anjo. vejam como ele toca a cabeça ............................da mãe do mundo com o seu anel de ónix .....negro... negro: XI de novo a seta .....agora em chamas:

sábado, 20 de outubro de 2007

começa aqui um novo espaço de SAUDADES DE ANTERO



DE PÉ (Saudação a Antero)
José Mário Branco


Força é reconhecer
Que a morte, quando escolhida
É uma espécie de antever
A vida dentro da vida
É parecida
Só parecida
Com a vida por viver

Num jardim quadrangular
À vista do oceano
Pode perder-se o olhar
Na praia do desengano
É humano
Sobre-humano
É ter um canto p'ra salvar

De pé meu canto não te rendas
Saúda o mestre das oferendas
Canta, canta, coração
Que o poeta só te dá o que lhe dão

De pé memória do futuro
Há sempre luz ao fim do escuro
Numa ilha só morre o que lá está
O que conta no que foi, é o que será

É bem pobre condição
Render-se ao desespero
E ler só morte na mão
Direita de Antero
O que eu quero
Porque quero
É negar a negação

Há uma ausência feroz
Que veste a nossa mágoa
E esquecemos que é por nós
Que a fonte deita água
Mas eu trago-a
Mas eu trago-a
É a razão da minha voz