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sexta-feira, 2 de maio de 2008

poemas dispersos

corre meu corvo corre se as tuas asas já não podem refugia-te no negro usa a espada que tens como bico corre para o mar lá estarás a salvo lá nem barcos nem homens nem animais te atormentarão corre meu corvo corre em direcção ao sal e ao sol de um mar alto onde tudo te protegerá

quinta-feira, 1 de maio de 2008

poemas dispersos

quando ouvia a tua voz escrita acendiam-se os olhos d’uma noite inteira marcavam-se no amplexo do céu pequenos pontos brancos que fixava como se fossem candeias angélicas ou diamantes lapidados brilhando à luz de um sol negro calo agora essa voz e adormeço cego de luzes acrescentando: para sempre

MAIO

terça-feira, 29 de abril de 2008

poemas dispersos

o anjo do apocalipse cujo os pés repousam no mar trouxe-me num vaso de pérolas uma flor das águas: o amor do grande armageddon ia enfim começar e eu salvo pelas redes do espanto fui escolhido para sangrar o cálice da nova terra

segunda-feira, 28 de abril de 2008

poemas dispersos

é uma escultura italiana um leão que chora deitado – derrotado escondendo os olhos com as garras enquanto um gigantesco arcanjo de mármore o afaga tentado a salvar o rei da morte que se aproxima uma imagem congelada da derrota : por muitos séculos assim permanecerão

domingo, 27 de abril de 2008

poemas dispersos

vento calmo calmo cal mo brisa que mesmo não sendo brisa se sente brisa como em dias de muito inverno uma chuva perfumada nos enche o fato e os olhos de lágrimas disfarçadas

«Os Frades»


Pintura de Tânia Calinas

sábado, 26 de abril de 2008

poemas dispersos

ficará impresso num caractere um quase invisível sinal de dedicatória saberás lê-lo? como todos os deuses e poetas os versos contêm pequenos sinais nas cores sobrevoando uma linha longa de texto ofereço-te o meu reino num hífen sobre-tintado

João Lemos - New York



sexta-feira, 25 de abril de 2008

poemas dispersos

25 de abril de 2008 para o pintor era uma questão de amarelo e de um peixe grande e aterrador com uns olhos muito verdes e barbatana s azul cobalto – o pintor insistia no amarelo para o corpo o mar em que o peixe remava – o pintor morreu e o amarelo não chegou a despertar ainda assim o peixe nadou para um longínquo cravo

obrigado camaradas

quinta-feira, 24 de abril de 2008

poemas dispersos

como um choro lento vi as flores na jarra brilhantes e vermelhas – brancas de tão profundo escarlate e sentei-me imóvel com um medo adulto de quebrar aquela lâmina espelhada de alguma felicidade

quarta-feira, 23 de abril de 2008

poemas dispersos

uma garça sobre o rio um voo plano rápido os marinheiros soltavam cordas e a luz do fim do dia ressaltava na fina superfície da água – a garça inverteu o rumo os marinheiros recolheram até que floriu um dourado imenso como se a noite ali fosse nadar

segunda-feira, 21 de abril de 2008

poemas dispersos

não quero lembrar-me nem tão pouco ser uma luz radiosa para a qual um dia desperte se esquecer o Eu imenso que sou quero – notem bem – quero apenas uma caneta de aparo suave com que possa rasgar num papel com uma tinta muito ágil as latitudes e longitudes das noites insones que me acompanham com a mesma natureza felina de um gato aos pés da cama da velha tia de alguém madrugada dentro

domingo, 20 de abril de 2008

poemas dispersos

um tiro ou uma corda onde pouse um corvo e uma bem-aventurada rosa . à beira da chuva todos os pequenos passos levam ao lugar do desastre e salvos um a um os cegos de goya levantar-se-ão em filas e voarão até ao céu onde dependurado está aquele que a todos sem pensar prometeu a salvação

PEDRO BANDEIRA FREIRE


pedro bandeira freire morreu de dor e amor.
amor por quatro salas de cinema, Quarteto de amor
e verdes anos.
morreu por ter de entregar as chaves desse amor a quarto.
hoje pode descansar? já não tem o seu amor, nem um Quarteto
de filmes que nos abraçavam noite após noite.
que fique a recordação do seu rosto dorido E a lembrança
de um bilhete, parecido com um antigo bilhete de eléctrico,
Chamado Desejo.

sábado, 19 de abril de 2008

poemas dispersos

assim entrançada na rede de ferro a trepadeira desenha perfis e corpos gente de costas gente gritante – bocas a pedir socorro e enquanto o vento lhe bate nas folhas todos aqueles semi-seres se contorcem e agitam e parecem ainda maiores e mais desfigurados lacrimejantes ousando

sexta-feira, 18 de abril de 2008

poemas dispersos

apesar do lodo da chuva oblíqua – do corpo toldado por ínfimas lágrimas vejo e vejo com tamanha clarividência que até as montanhas por de trás das nuvens me são entendíveis ao olhos tudo o resto é em vão não penso, porque pensar seria uma ilusão sem resposta não me movo porque escorregaria no lodo para sempre :apenas olho as setas de água , disparadas à terra sentindo com a mais íntima das percepções que tudo é assim está certo e é natural

quarta-feira, 16 de abril de 2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

poemas dispersos

tem os olhos brancos e chama- se açores caminha depressa (sem ir a lado nenhum) de costas parece um tigre de cartão de frente é um tigre de cartão vive a cidade sem prender o olhar uma vez que seja as mãos são alvas como os olhos e seria um bom pastor ou poeta se pusesse tal hipótese conheci-o hoje e chamei-lhe açores

segunda-feira, 14 de abril de 2008

poemas dispersos

quando os anjos me visitam param os ventos e o tremor da água tudo fica perfeito e terno - até me abandonarem num humano cheiro fundido na terra asfixiado e cego como no real inferno de dante ¿para que me visitam então os anjos se é o abandono inevitável? mil vezes o permanente interior do fogo do que conhecendo o toque da rosa ter de a perder

domingo, 13 de abril de 2008

poemas dispersos

da minha cama pode ver-se tudo o que o céu tem e ainda as pessoas que ninguém sabe que existem a mim a cama ensinou-me tudo e é por isso que eu sei com toda a certeza que a estrela brilhante que ilumina a terra só existe para me saborear

sábado, 12 de abril de 2008

Comic Con



Os 4, do ido estúdio da Bica { Ricardo Venâncio, Ricardo Tércio, Nuno "Plati" Alves e João Lemos } vão estar na Artist's Alley da New York Comic Con deste ano { mesas F7 a F10 }. Com eles, estarão também Rui Lacas e Jorge Coelho, do nosso novo estúdio, bem como o realizador Paulo Prazeres, da Droid-I.D a documentar a experiência.

poemas dispersos

tenho nos ouvidos um piano e uns dedos que ouvem: uma partitura talvez pelo mistério da partitura ; «goldberg – variações» ou pelo mistério de ter um piano em mim só consigo acordar em paz se ressoarem em celebração as mãos e os tempos de glenn

sexta-feira, 11 de abril de 2008

poemas dispersos

antes de fechares a porta olha- -me com alguma ternura e diz. diz o que nunca me disseste. o que nunca foste capaz de dizer. diz. e depois vai tranca bem a porta e n~ ao voltes a pronunciar o nosso nome.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

poemas dispersos

sou uma chávena de chá mas sem o odor transparente e o calor reconfortante de uma tisana sou só um líquido espesso preso num recipiente redondo

quarta-feira, 9 de abril de 2008

poemas dispersos

comecei por ver a sombra de um gato depois vi o gato cinzento quase azul quando entrou pelo quarto da pensão não saltou, voou aterrando debaixo do grande candeeiro à entrada da sala não havia nada a dizer ficámos num aparente silêncio sem tirar os olhos um do outro ao fim de umas horas ele voou de volta fechando a janela atrás de si contudo a sua sombra manteve-se projectada no te cto durante toda a noite

terça-feira, 8 de abril de 2008

poemas dispersos

quando tivemos de anunciar a tua morte, fiama caiu um véu de sóis e pinceladas negras já não há barcos na tua praia devoraste-os nos versos se dissesse: algarve, ressuscitaria os teus fonemas? as tuas letras grandes sobre papel fino? acaso foste visitada por um arcanjo a nunciador da morte dos poemas?

segunda-feira, 7 de abril de 2008

poemas dispersos

há vasos de flores que se partem e partem-se sobre longas mesas voadoras – diluem-se – hoje chove e há orquídeas carnívoras na cama como se a cama fosse ainda o berço do bebé sem sono que fui. por dentro do corpo azulam-se todas as metáforas mas não sairá um vocábulo pela boca insistente que as flores têm entre nós e os peixes, o aquário.

Foi criada a Versão On-Line do Jornal «THEOSOPHIA»

THEOSOPHIA Grupo de Estudos Teosóficos «Antero de Quental»

domingo, 6 de abril de 2008

o caderno feliz #20

#20 cheguei à torre percorri com a ponta dos dedos os caracteres do mapa lá estavam o rio o portão vermelho o estreito carreiro de terra por onde devem ter passado os cavaleiros de um tempo sem data cheguei à torre e do cimo gritei o meu nome caderno feliz/

o caderno feliz #19

#19 ouve esfinge não há filosofia ou pensamento antigo ou moderno que possa decifrar o teu divino segredo nos teus olhos abrem-se duas portas por elas só os pássaros estão permitidos mas eu olho-te e sinto-te alma gémea nós dois gigantescos vocábulos provocando tempestades/

sexta-feira, 4 de abril de 2008

o caderno feliz #18

#18 era inevitável chegar à loucura nada na loucura me assusta a loucura é bela cega-nos e a cegueira leva-nos ao mar cheguei pois e sinto a paz a ascender como uma esplendorosa força terrestre amada e amante olá guardador de rebanhos/

quinta-feira, 3 de abril de 2008

o caderno feliz #17

#17 ainda trago os espinhos na palma dos pés no início parecia uma caminhada tão simples pura e transparente mesmo com muito esforço as agulhas não saem talvez estejam definitivamente cravadas não sinto dor não sinto os pés sofro só a memória do primeiro andamento/

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O MEDO É FOGO POSTO...

DIANA E PEDRO MÚSICAS & CANTOS
no MySpace

o caderno feliz #16

#16 subo o abismo sem cair o alento está a meu favor subir as paredes de um abismo é uma escalada como qualquer outra é o que todos dizem e é por isso que aproveito este vento com naturalidade pondo sem cuidados o pé na rocha seguinte honro o meu nome sísifo/

o caderno feliz #15

#15 acordei sobre um pano de pequenas pedras aquecidas pelo sol o corpo nu imóvel mesmo ao lado um ribeiro corria contra a corrente levantado poderia ter-me deixado refrescar pelas águas mas o conforto da dor jamais o permitiria/

segunda-feira, 31 de março de 2008

o caderno feliz #14

#14 a terra parece mármore será que ouço um mocho será que ouço a terra parece mar pressinto navios ancorados e gente a nadar apetece-me mudar de nome soltar as amarras e subir pelo céu num voo longo e vertical poderia jurar que é um mocho um mocho caçador anunciando a sua primazia sobre os outros predadores caminho suavemente sobre o mármore e inscrevo como numa lápide mortuária o meu epitáfio peregrinator/

quinta-feira, 27 de março de 2008

o caderno feliz #13

#13 há sol a praia passa perto de uma linha telefónica anseio três seixos com que farei um oráculo o cão dorme no piso de cima uma cão doce de coleira verde a esta hora já os meus olhos estão vazios e o caos toma conta dos actos assim deixo-me levar pela praia pela expectativa dos seixos/

o caderno feliz #12

# 12 há nuvens japonesas no céu paisagens celebrantes e árvores de flores brancas amendoeiras as cotovias cantam para e só para nosso deleite recortado no azul um cavalo e um cavaleiro/

terça-feira, 25 de março de 2008

o caderno feliz #11

#11 com estas palavras só peço chuva inundações gigantes ondas gigantes cabelos gigantes toda a terra me denuncia e os anjos olham-me sem ouvidos/

segunda-feira, 24 de março de 2008

o caderno feliz #10

#10 é ouro grande lápis esforçando-se por desenhar é todo ouro ouro sol branco papel lápis branco e mar vejo o meu nome numa parede e basta-me para atestar a minha existência sou a prata restante o restolho de um ourives por natureza cruel jamais serei moeda lua cheia só me é dado contemplar/

domingo, 23 de março de 2008

o caderno feliz #9

#9 – domingo de ressurreição hoje os meus dedos abriram-se em flores e sangue quente durante a noite as almas visitaram-me embalando-me na tranquilidade de um sonho transparente graciosa candeia de lua rasgando o coração por onde uma mão entrou carinhosamente amante/

sábado, 22 de março de 2008

Hi5

http://fredericogeorge.hi5.com

o caderno feliz #8

#8 – sábado de aleluia são os pés que paralisam os olhos que se fecham formam uma cruz repleta de semi-deuses a travar o caminho talvez a cruz seja ilusória a verdade é que é impossível dar um passo regressar ao presente não fugir o vento tornou-se violento e os anjos resguardaram-se dos homens terá sido esta a verdade dos profetas/

sexta-feira, 21 de março de 2008

quarta-feira, 19 de março de 2008

o caderno feliz #6

#6 caem-me os cabelos os pássaros gostam eu gosto só não consigo suportar estes óculos não é que não me sirvam mas pesam-me como se em mim tivesse entrado toda a tristeza do mundo ou eu próprio fosse toda a tristeza do mundo os pássaros bicam a minha cabeça cada vez mais despida e quando olho em frente só consigo fixar a devastação das árvores já morreram quase todas caçadas por uma qualquer mente adversa à serenidade cai-me a pele os pássaros gostam eu gosto só não consigo suportar estes óculos/

sábado, 8 de março de 2008

o caderno feliz #5

#5 as noites eram o meu espaço de felicidade mas há duas semanas que um intruso penetra nas minhas propriedades oníricas revolvendo os meus sonhos a maneira certeira e lúcida com que ele o faz leva-me a crer que seja um menino morto por nunca ter adormecido a tempo de o ver ele escapa-se e sabe o que faz percebo que só quer apoderar-se dos meus sonhos tem com certeza tudo planeado e por qualquer razão desconhecida escolheu-me a mim como vítima e que posso eu fazer se é um anjo caído/

o caderno feliz #4

#4 há dias em que acontecem inexplicáveis surpresas como ontem ao principio da noite homens puseram enxofre a queimar nestes casos os gatos fogem abençoando o espaço com gritos interiores é que um gato reconhece sempre uma invocação do diabo e talvez nem se trate de uma fuga mas de uma retirada como um soldado que se atrasa no xadrez da guerra preparando-se para um combate mais feroz/

SOS Voz Amiga

Texto escrito por solicitação do SOS Voz Amiga a palavra certa frederico mira george para o fernando eis dois homens na noite da rádio um de palavras serenas suicidas e certas algures na cidade outro de palavras sedutoras curtas e certas o homem do outro lado do estúdio está confiante irredutível o homem na telefonia-sem-fios está lúcido mas com medo há quantos anos a sua vida é feita de ler vozes trinta talvez sabe que o outro homem não brinca vai matar-se e quer fazer o espectáculo da sua morte quer fazer da sua morte ao menos um minuto de glória para o homem da rádio basta-lhe um tom uma ténue vibração de voz para saber o passo seguinte é nisso que confia a determinação do homem ao telefone é verdadeira e quase impossível de vencer na régie chamam a polícia quinze minutos é o que precisam o homem da telefonia tem de ter a palavra certa para o manter no ar o homem para lá do estúdio eis um duelo de dois grandes guerreiros no xadrez da amada rádio dos sons e silêncios deles depende a morte de um ou a frustração culpada do outro não pode haver erros de parte a parte para o homem suicida nada o pode seduzir para o homem ao microfone cada palavra tem de seduzir quem os escuta no éter nem se apercebe quão gigantes estes homens são a polícia leva mais tempo que o previsto o suor cai sobre o rosto de ambos os guerreiros as palavras de passe continuam são elas que dão acesso ao nível superior do xadrez estão os dois prestes a rebentar as palavras tornam-se finais os silêncios aumentam a estação da rádio está feita uma esquadra de polícia o homem da rádio diz a primeira palavra errada o gigante do outro lado assusta-se mas não foge a polícia encontra o local perto dali afinal o éter era mais pequeno do que se imaginava talvez seja por pouco e foi pelo microfone ouvimos agora o repórter que descreve um quarto entrincheirado e preparado para a explosão de pontas de gás o telefone cai o repórter silencia-se no estúdio o homem da telefonia deita-se no chão exausto uma ideia atormenta-o não lhe sai da ideia a traição que talvez tenha feito ao homem do telefone a sedução da sua voz cativou o suicida puxou-o para a amada rádio terá isso sido legítimo terá ele salvo este homem da morte ou tê-lo-á condenado à vida eterna/

PAX


Pintura de Tânia Calinas
Acrílico sobre platex

terça-feira, 4 de março de 2008

o caderno feliz #3

#3 não chove apesar de estar um céu negro e ameaçador tenho o meu chapéu desde os dezassete anos está coçado e velho mas encaixa na minha cabeça como uma luva perfeita serviria numa mão perfeita as manhãs assim são horrivelmente roxas e demoradas desejava poder conversar conversar muito com um humano ou um animal que me acariciasse não sei se saia se ponha o meu chapéu a ausência de chuva ameaça-me talvez não talvez o que me ameace seja a presença do céu carregado sabendo que não vai chover nem trovejar são manhãs sem ninguém manhãs de frio estando calor apenas encontro conforto num casaco que encontrei na rua e que transmite ao meu corpo uma satisfação quase pura plural e afinada um pretexto para ter algo em que pensar penso pouco e quando penso é nestas coisas no chapéu no casaco na chuva retardada para um verão que há-de vir e se sente pelas costas como se de alguém se tratasse com uma pistola em punho pretextos por todos os lados para matar as horas anseio a chegada a uma outra terra a um outro lago anseio ver com outros sentidos este lado tão curto da vida/

domingo, 2 de março de 2008

o caderno feliz #2

#2 acordei e senti-me uma raiz de mandrágora com um foco de luz azul-gelado a observar-me virei a cabeça assustado em pânico e reparei na presença serena de malone está a morrer de samuel beckett em cima da mesa de cabeceira isso acalmou-me a luz fundiu-se no escuro da madrugada e o meu corpo abandonou a textura humana da mandrágora foi quando começaram os gritos miados da gata do primeiro andar num cio atrasado já não estava só do pânico total passei à tranquilidade do dia quase a despontar então senti uma humilde vontade de estar grato a tudo especialmente à gata do primeiro andar apesar de ver tudo a branco-e-negro consegui pôr mirra e funcho no turíbulo em oferenda ao dia que estava a nascer deitei-me de novo e adormeci numa paz de bach todo eu era uma dormência feliz/

o caderno feliz #1

#1 gosto de táxis como um anjo das suas asas gosto de ir e olhar para a frente e para trás e para os lados gosto da total irresponsabilidade de me deixar conduzir pelas ruas ao volante de um homem que não conheço num barco ainda mais desconhecido costumo pousar o chapéu sobre os joelhos o guarda-chuva no chão sim porque eu ando sempre de guarda-chuva às vezes suo e é aí que medito na alma na metafísica na pobre filosofia dos homens é aí que tenho pena de todas as almas e de todos os metafísicos e de todos os pobres filósofos é aí que imagino que há sol e flores e peixes em lagos algures na casa de alguém e provavelmente no mar sim é nos táxis que desobedeço a deus e me sinto numa missa de incontáveis hóstias de todas as cores/

sábado, 23 de fevereiro de 2008

do fim para o princípio - SILÊNCIÁRIO

Aqui fica a introdução ao livro «SILÊNCIÁRIO» cujos poemas têm vindo a ser publicados neste blog nos últimos meses: AS PALAVRAS DA MEDITAÇÃO talvez sejam só letras/palavras. espaços entrelaçados. visões rápidas. espasmos. acelerações cardíacas. talvez isso seja tudo. tudo é muito mas ainda não é o todo. talvez não seja bem isto o que se pode dizer destas frases que vão encontrar a seguir a esta página, todas elas escritas minutos antes de uma sessão de zazen. antes de meditar somos cruzados por pensamentos – questões? – que nos colocam perante o paradoxo da nossa mente. já em meditação, esses pensamentos, ou questões, diluem-se num espaço indisível, inefável: a poesia. aí não há pensamento, nem visão, nem eu, nem tu, nem estar sentado ou em pé. aí não há o espaço, o corpo o odor. ao mesmo tempo tudo está presente: o pensamento, a visão, o eu, o tu, o sentado, o em pé, o espaço, o tempo. estão presentes mas não estão lá. tudo é paradoxal na meditação. consciente só a respiração. o acto primeiro. a orla da iluminação. mas ainda não estamos no todo. só na parte que nos poderá conduzir ao todo. zazen quer dizer meditação sentada. estar sentado é uma acção poderosa. tão poderosa como é poderoso olhar o sol quando nasce ou se põe ou observar a lua plena de um solstício. nestas palavras que habitei é possível que se consiga encontrar um fio condutor. o entrelaço de todas as agitações da mente. de todas as pausas. de todas as consequências e inconsequências. há um muro entre elas e eu como ser. a meditação reduz, ou eleva, esse muro ao estado da mais profunda transparência. em cada sessão é-nos dada a possibilidade de «ver» para o outro lado da parede que habitamos. enfim a morte. lisboa, 23 de fevereiro de 2008 de uma era comum

A EXPRESSÃO de BUDA


Para o Pedro, mano do João. Que juntos caminhem felizes pela vida

Perguntas e Respostas Encontradas

Mais uma vez o brilho que vem do AR LÍQUIDO 3 O que é a morte? É uma chave para 83 fechaduras.

A EXPRESSÃO de BUDA

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

q:

quando morrerem minhas violetas. é hora. levantar-me-ei da cama e olharei o ar do azul .'.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

p:

recebi um auspicioso sinal: os meus olhos estavam cegos. eu. enfim. pronto para ver .'.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

k:

espécie de janeiro. sem frios nem tempestades. sobre o livro em branco, o candeeiro .'.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

domingo, 27 de janeiro de 2008

sábado, 26 de janeiro de 2008

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008